Meio Ambiente - 07.04.09
Promovido com a TV Globo, seminário na Poli debate despoluição de rios em São Paulo
 
Não é raro que o motorista preso – e irritado – no trânsito da Marginal Tietê se esqueça que, a seu lado, há um rio. Um Tietê poluído e morto, mas um rio. Essa situação é cada vez mais comum na região metropolitana de São Paulo, diz o professor Mario Thadeu Leme de Barros, da Escola Politécnica (Poli) da USP. “A cidade tem que redescobrir os rios, mas muita gente acha que eles são apenas um meio de transporte de esgotos”, conta o especialista em recursos hídricos. Foi deixando essa ideia de lado que, em metrópoles pelo mundo, rios e córregos foram despoluídos. Entre os mais famosos, o Tamisa, em Londres, e, mais recentemente, o Cheonggyecheon, em Seul. Mas e em São Paulo?

No próxima terça-feira (14), o assunto será discutido no anfiteatro da Poli, na Cidade Universitária. O seminário Rios de São Paulo, promovido pela TV Globo em pareceria com a USP, pode até não responder completamente a questão do parágrafo anterior, mas será importante para uma “troca de experiências”, afirma o professor Barros. Para debater como os rios de São Paulo podem ser despoluídos, juntam-se a ele o representante do Departamento de Infraestrutura Urbana da Prefeitura de Seul, In-Keun Lee; a secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena; e o docente da UFRS, Carlos Eduardo Morelli Tucci. O debate será mediado pelo jornalista Carlos Tramontina, da Rede Globo.

Barros deseja que estudantes de diferentes áreas compareçam ao seminário, já que diversos setores tratam da questão da poluição nos rios. Engenheiros, urbanistas, paisagistas, ambientalistas e sociólogos, entre outros, devem prestar atenção especial ao assunto, aconselha. “A água é a grande questão do século XXI.” Poluídas, as águas são foco de doenças e também prejudicam a qualidade de vida urbana, com impacto, inclusive, no micro-clima. As enchentes e as moradias irregulares também fazem parte da questão no meio urbano.

O professor da Poli afirma que o processo de despoluição dos rios deve ser feito de forma viavelmente econômica, já que projetos do tipo custam muito caro, ambientalmente sustentável (sem causar tanto impacto ambiental) e também sem prejudicar a vida de populações que vivem nas áreas próximas aos rios e que precisariam ser deslocadas. É por isso que o ele defende que o trabalho seja multidisciplinar. “Os projetos devem ser executados não de forma setorial, como são feitos hoje, mas com uma visão mais integradora, levando em conta a complexidade que o assunto tem.” Além disso, o docente acredita que é preciso um “planejamento integrado” por parte dos administradores de diferentes áreas geográficas, pois “os rios não respeitam os limites político-admnistrativos das regiões”.

Coleta e tratamento de esgoto são fundamentais para o processo de despoluição dos rios, segunda Barros. Além disso, um recolhimento de lixo mais abrangente é extremamente necessário para evitar que os dejetos sejam jogados nas águas. Outras proposta colocada por ele é a recuperação das áreas marginais, com a construção de um parque linear, e o controle das cheias, com os piscinões.

Parceria
A ideia do evento surgiu após viagem do jornalista Carlos Tramontina à Coréia do Sul, onde conheceu o trabalho de despoluição do rio Cheonggyecheon. Foi então que o programa Globo Universidade entrou em contato com o Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Poli para a organização de um evento que discutisse a despoluição de rios de forma ambientalmente sustentável. Segundo o docente da Poli, a questão é de grande interesse para a sociedade, e é importante que a Universidade “dê um retorno” do que é produzido dentro dela. E a iniciativa também é positiva, ele completa, porque a TV Globo tem grande penetração no país.

Serviço
O seminário Rios de São Paulo acontece na próxima terça-feira (14) a partir das 9 horas. O evento é gratuito e aberto a todos os interessados. Para se inscrever, basta ligar para o telefone (11) 5632-3129 entre as 9 e as 18 horas, até segunda-feira (13). O evento ocorre no anfiteatro da Escola Politécnica (Poli) da USP, que fica na Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, 380, Cidade Universitária, São Paulo.

   
 
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